Dani Capra
terça-feira, 31 de maio de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
sábado, 30 de novembro de 2013
O cão e o piano
-Oh meu Deus!
-Chamem uma ambulância
-Senhor tende piedade desta alma
Às 15:30 o som de O Fortuna, tocando num piano em uma praça em frente ao terminal rodoviário de Londrina, muda para as sirenes de uma ambulância e as vozes das pessoas que tentavam ajudar Agenor, um homem com 87 anos de idade, que alí morrera executando sua paixão, tocando sua música favorita ao piano.
-Mãe olha o que eu encontrei, vamos levar para casa?
-Não meu amor, não temos espaço para um cãozinho.
-Poxa mãe! Ele parece abandonado, parece estar sofrendo, deixa mãe.
-Vou conversar com o seu pai.
A cada dia que passava Guilherme se apaixonava cada vez mais pelo doce cão, todos os dias trazia comida e delicadamente colocava ao lado do piano, onde o lindo animal insistia em dormir.
27 de Maio aniversário de 12 anos do menino, como presente seus pais o deixaram adotar o animal.
- Mãe que nome colocaremos nele? Eu pensei em Rex.
- Rex é nome de cachorro grande, espera, vou ler o que tem escrito em sua coleira.
"Fortuna - 26280523"
Nome estranho para um animal pensa Antonela.
- Fortuna! Ela lê assustada.
O cão responde abanando a cauda com expressão de felicidade, então Guilherme com a intenção de fazer um teste com o nome do vira-lata, vai até a porta da sala e o chama.
-Fortuna vem aqui, vem!
O cão vai em seu encontro, mas, Antonela chama o animal e retira a velha coleira colocando uma nova.
-Querido amanhã ligarei para este número de telefone, estou preocupada com a reação do Gui quando descobrir que o cachorro tem dono.
-Querida, durma, ele precisará entender. Conversavam os pais do menino antes de dormir. Enquanto isso o garoto arruma em seu quarto um canto aconchegante para o novo membro da família.
-Bom dia. Diz Guilherme ao Fortuna, com um belo olhar retribui o cão.
-Filho não vai se atrasar para a escola. Diz a mãe ainda com voz de sono.
"Este telefone é inexistente, por favor tente novamente ou consulte a lista telefônica " diz a gravação automática do número que Antonela ligou enquanto seu filho ainda estava na escola. Aliviada decide esperar até que alguém reclame a falta do animal de estimação. Nunca irá acontecer.
-Fortuna, fortuna! Cade você ? Desesperado as 15:30 Guilherme chama pelo seu cãozinho.
Todos os dias o vira-latas desaparece por estas horas, com o passar dos meses a família começa a se acostumar como desaparecimento temporário do cachorro que sempre retorna ao novo lar.
Setembro de 2009 Gui e seus amigos retornam a praça para andar de skate, exatamente as 15:30 ele encontra seu animalzinho sentado em frente ao piano, assistindo uma linda garotinha tocar uma música qualquer, quem sabe será a composição de um grande artista , ou sua? uma lição do curso de música? Não sabemos, sabemos apenas que aquelas notas chamavam a atenção de Fortuna.
Intrigado com a atenção que o cachorro dava ao som do piano, seu dono o observava atentamente todos os dias, seu estranho comportamento deixava Guilherme a cada dia mais curioso, o menino passou seguir o cão, nãos possível que um cachorro saia de casa sempre no mesmo horário, para fazer o que? As perguntas dominavam sua mente e nenhuma resposta se apresentava.
Uma, duas, três, quatro semanas ou mais o mesmo hábito, a mesma praça, o mesmo cão, o mesmo triste olhar de fortuna para quem estava tocando o piano. Os anos foram passando, Guilherme já não tinha mais doze e sim quinze anos, Fortuna ninguém sabe ao certo, mas estima-se oito anos, sim três anos se passaram e aquele piano ali permanecia, embaixo da mesma árvore com a cor já desbotada.
3 anos e tantas coisas novas na vida de Guilherme, namorada, preparação para o futuro, Fortuna já não era mais seguido e sim acompanhado.
-Oh! Meu Deus veja se não é o Fortuna, meu Deus o que este cão faz aqui?
Fortuna com a alegria como que não via um amigo a décadas, responde lambendo e pulando no desconhecido que carregava um saxofone.
Gui correu para ver o que estava acontecendo, quem é aquele homem? P r que esta reação? Será o antigo dono do meu cão?
- Boa tarde! você conhece o Fortuna? Pergunta o menino com a voz trêmula.
-Sim ele é o cão de um velho amigo meu.
-É cão de um velho amigo? Ele é meu o encontrei aqui.
-Sim garoto, o meu amigo faleceu aqui mesmo a três ou quatro anos atrás, não precisa temer.
-Como assim? Conte-me esta história por favor.
Um filme de tudo que viera acontecendo até o presente momento passou pela cabeça do adolescente.
-Agenor Lorran era um pianista famoso em sua juventude, tocou com grandes nomes da música , todos os dias ele vinha a esta praça, tocava algumas musicas e fortuna o acompanhava.
Neste momento tudo começa a fazer sentido, todo o estranho comportamento do cão.
-Ele vinha sempre no mesmo horário?
-Sempre, este horário tem mais pessoas na praça, Agenor acreditava que a música acalmava a alma das pessoas.
-Agora eu entendo, Fortuna vem todos os dias, ele vem por amor. Você vai levar o meu cão?
- Não, se ele está bem com você eu fico feliz.
Depois deste dia com mais amor os dois continuavam indo aquela praça, visitar o piano, ano após ano, década após década.
Hoje o fortuna já não esta entre nós e Guilherme é avô, sua filha única Aline é pianista e toca em grandes concertos.
-Vovô, porque você vem aqui todos os dias?
-Eu venho para me lembrar de Fortuna, ele me ensinou o que verdadeiramente é amar.
Guilherme responde seu netinho na naquela praça ao som de O Fortuna tocado por um elegante senhor acompanhado de seu cão ao lado do piano.
Dani Capra.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Arte nas ruas
Nasci em Londrina no Paraná mas sou niteroiense e moro em Londres.
Tudo nesta cidade me atrai, mas uma das coisas que mais curto são os artistas que encontro nas ruas. Para alguns deles as ruas são o ganha pão, outros se divertem, e tem quem ama fazer sua arte nas ruas pois para eles esta é a melhor casa de espetáculos por ter acesso a todo o tipo de público de várias idades e culturas, o que eu concordo.
"Para a arte e para a música, Londres é um lugar perfeito para mostrar seu talento"- Fabio Tedde.
Londres é uma cidade regada de arte por onde quer que você vá, a arquitetura histórica e moderna, a música, as danças, os grafite, desde a vitrine da loja ao modo de se vestir dos cidadãos, na minha visão tudo aqui é de uma criatividade exuberante da mais simples apresentação como um malabarismo nas ruas ao som de um piano por exemplo.
Esta semana passei por alguns bairros e registrei alguns momentos em Covent Garden, Kings Cross Station e South Kensigton Station. É humanamente impossível eu conseguir registrar aqui em apenas um texto toda a beleza artística, cultural, religiosa entre outras desta cidade, espero que vocês curtem esta pequena amostra de hoje, e as que virão também.
Ninguém melhor para falar da sensação de tocar nas ruas que meu amigo pianista e compositor Fabio Tedde ele é italiano e mora em Londres, a doze anos toca piano nas ruas da cidade. Em suas viagens para outros países mostra seu talento onde estiver os pianos " PLAY ME I'M YOURS".
DANI CAPRA: O que você sente tocando nas ruas de Londres?
FABIO TEDDE: Quando toco nas ruas sinto liberdade, me sinto livre porque eu decido quando e como devo tocar, quando devo parar e gosto porque estou em contato com o público, qualquer lugar que vou toco nas ruas e depois tudo o que acontece, é tudo real eu gosto por isso.
DANI CAPRA: O que vem em sua mente, quando falo artistas de rua no Brasil?
FABIO TEDDE: No Brasil! A vida de um artista de rua no Brasil? Agora, não tenho idéia porque nunca estive no Brasil. Imaginando! Penso que seja... que seja belo com as pessoas hospitaleiras, sorridente e penso que seja muito quente, mais quente que Londres e, mais, talvez mais divertido mas não sei, tenho que provar.
DANI CAPRA: Dos países que você tocou piano, qual foi o q vc mais gostou?
FABIO TEDDE: Depende cada cidade é diferente, cada país é diferente, diferentes tipos de cultura das pessoas de onde eu vou, a vida, de como vivem naquele ambiente,é tudo diferente. Em cada país muda o modo de vida das pessoas, são sempre pessoas iguais, porém o modo que vivem em cada cidade tem alguma coisa de diferente.
DANI CAPRA: Onde você mais gostou de tocar?
FABIO TEDDE: Em Mônaco eu gostei muitíssimo, na Alemanha, porque fiquei maravilhado com as pessoas, elas ficavam horas e horas escutando, e a experiência pior que eu tive foi em Paris na França, sim em Paris ( haha).
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